Para ficar no mesmo lugar

— Corre! Corre! — gritava a Rainha. — Mais depressa! Mais depressa! — E iam tão velozes que finalmente pareciam deslizar pelos ares, quase sem tocar o solo com os pés, até que de súbito, justo quando Alice parecia morrer de cansaço, elas pararam. Alice viu-se sentada no chão, aturdida e sem fôlego.

A Rainha recostou-a numa árvore e disse gentilmente: — Você pode descansar um pouco agora.

Alice olhou em volta de si muito surpreendida. — Ora essa, acho que ficamos sob essa árvore o tempo todo! Está tudo igualzinho!

— Claro que está — disse a Rainha. — O que você esperava?

— Em nossa terra — explicou Alice, ainda arfando um pouco — geralmente se chega noutro lugar, quando se corre muito depressa e durante muito tempo, como fizemos agora.

— Que terra mais vagarosa! — comentou a Rainha. — Pois bem, aqui, veja, tem de se correr o mais depressa que se puder, quando se quer ficar no mesmo lugar. Se você quiser ir a um lugar diferente, tem que correr pelo menos duas vezes mais rápido do que agora.

(de Através do espelho, Lewis Carroll. Editora Summus, tradução de Sebastião Uchoa Leite)

por Comitê de Exploração do Não Espaço
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