Amnésia dissociativa

A amnésia dissociativa é uma incapacidade de recuperar informação pessoal importante, geralmente de natureza estressante ou traumática, a qual é muito generalizada para que possa considerar-se como um esquecimento individual.
A perda de memória inclui, de um modo geral, informação que faz parte do conhecimento consciente habitual ou memória “autobiográfica” (quem é, o que fez, onde foi, com quem falou, o que disse, pensou e sentiu etc). Há ocasiões em que a informação, embora esquecida, continua a influenciar o comportamento da pessoa.
As pessoas com uma amnésia dissociativa têm, habitualmente, uma ou mais lacunas de memória que se estendem de poucos minutos a algumas horas ou dias. No entanto, registraram-se algumas lacunas de memória que envolvem anos ou inclusive a vida inteira. Usualmente os períodos confinantes com a lacuna de memória costumam ser claros. Geralmente, as pessoas têm consciência de que “perderam algum tempo”, mas alguns amnésicos dissociativos só ficam conscientes do tempo perdido quando se dão conta ou são confrontados com a evidência de que fizeram coisas de que não se lembram. Algumas pessoas com amnésia esquecem alguns mas não todos os acontecimentos de um período de tempo; outras não podem recordar nada da sua vida anterior ou esquecem coisas à medida que vão ocorrendo.
A incidência da amnésia dissociativa é desconhecida, mas a perturbação é mais freqüente nos adultos. A amnésia é mais freqüente em pessoas que se encontraram envolvidas em guerras, acidentes ou desastres naturais. Há informação sobre casos de pessoas que tinham amnésia de episódios de abusos sexuais na sua infância e que mais tarde, já adultos, recordaram os episódios. A amnésia pode ocorrer depois de um acontecimento traumático e a memória pode recuperar-se com o tratamento, com acontecimentos posteriores ou com a informação que a pessoa recebe. No entanto, não se sabe se essas memórias recuperadas refletem acontecimentos reais no passado da pessoa. Demonstraram-se recuperações de memórias tanto exatas como inexatas.
Causas
A amnésia dissociativa parece ser causada pelo stress (a experiência ou a visão de experiências traumáticas, situações de stress graves na vida ou graves conflitos internos). Os episódios de amnésia podem ser precedidos por abusos físicos ou experiências sexuais e situações emocionalmente esmagadoras nas quais existe ameaça, lesão ou morte (como uma violação, uma guerra ou um desastre natural, como um incêndio ou uma inundação). As situações de maior stress na vida incluem o abandono, a morte de um ser querido e a ruína financeira. Também podem conduzir à amnésia a inquietação por impulsos de culpabilidade, dificuldades aparentemente insolúveis ou comportamentos criminosos. De um modo geral, aceita-se que algumas pessoas, como as que são facilmente hipnotizadas, sejam mais propensas a desenvolver amnésia do que outras.
Sintomas e diagnóstico
O sintoma mais freqüente da amnésia dissociativa é a perda de memória. Pouco depois de tornar-se amnésica, a pessoa pode parecer confusa, sobretudo se receber um bilhete de si mesma. Muitas pessoas amnésicas estão de certa maneira deprimidas. Algumas pessoas são muito afetadas pela sua amnésia; outras não. Outros sintomas e preocupações dependem da importância da informação esquecida e da sua relação com os conflitos da pessoa ou das conseqüências do comportamento esquecido.
Para fazer o diagnóstico, o médico efetua um exame físico e psiquiátrico. O sangue e a urina são analisados para determinar se uma substância tóxica como uma droga ilegal é a causa da amnésia. Pode efetuar-se um electroencefalograma para determinar se a causa é uma perturbação epiléptica. Provas psicológicas especializadas podem ajudar o médico a caracterizar as experiências dissociativas.
Tratamento e prognóstico
É essencial uma atmosfera de apoio na qual a pessoa se sinta segura. Esta medida, só por si, conduz frequentemente a uma recuperação espontânea gradual das recordações perdidas.
Se a memória não se recupera de modo espontâneo ou se é urgente a sua recuperação, são muitas vezes eficazes as técnicas de recuperação da memória. Usando a hipnose ou os efeitos de determinados fármacos, o médico questiona a pessoa amnésica sobre o seu passado. O médico deve ter muito cuidado porque é provável que se tornem patentes durante o processo as circunstâncias que estimularam a perda de memória e isso pode ser muito perturbador. Não pode assumir-se que sejam exatas as recordações recuperadas através destas técnicas. Só a corroboração externa poderá determinar a sua exatidão. No entanto, o fato de completar ao máximo as lacunas de memória poderá contribuir para restabelecer a continuidade da identidade da pessoa e do seu sentido do eu. Uma vez desaparecida a amnésia, o tratamento continuado ajudará a pessoa a compreender o trauma ou os conflitos que causaram a situação e a encontrar meios para a resolver.
A maioria das pessoas recupera o que parecem ser as suas memórias perdidas e resolve os conflitos que causaram a amnésia. No entanto, algumas pessoas nunca quebram as barreiras que as impedem de reconstruir o seu passado perdido. O prognóstico é determinado, em parte, pelas circunstâncias da vida da pessoa, particularmente o stress e os conflitos que provocaram a amnésia.
(do Manual Merck de saúde para a família, disponível em http://www.manualmerck.net)
Entrando no Orfeu
“Shark” (1978)
“Shark” (1978), custou 60 dólares e foi dirigido por crianças de 12 anos. O tubarão cenográfico afundou logo após a primeira cena, o que acabou por acrescentar um ar misterioso à película, rodada em Super8.
Meme e o gene egoísta
Em O gene egoísta, Richard Dawkins apresenta uma teoria evolucionária que procura explicar a evolução das espécies sob a perspectiva dos genes, e não dos indivíduos ou da espécie. Segundo essa teoria, o gene é a unidade fundamental da evolução e os organismos são meros veículos para a propagação dos seus genes. Este livro também é notável por introduzir o conceito de meme.
O meme é, para a memória, o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma auto-propagar-se. Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.
Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da “linguagem como vírus”, afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos. (Wikipedia)
Vamos precisar de um barco maior
Adeus e até logo, donzelas da espanha
Quint fazendo chacota:

